por Dra. Sofia Mac-Bride
Psicopedagoga Clínica da PT ACS – Especialista em Ansiedade e Stress pela Universidade Complutense de Madrid
O stress é uma resposta automática do organismo a qualquer mudança, seja ela interna ou externa. Esta resposta facilita o processo de fazer frente à mudança, pondo à disposição do organismo recursos excepcionais, que permitem perceber melhor a situação, interpretar mais rapidamente o que é pedido e decidir qual deve ser o tipo de comportamento a adoptar. Em suma, possibilita ao indivíduo enfrentar com êxito as situações mais difíceis.
As mais recentes investigações sobre stress indicam que a forma como nós percebemos, interpretamos e fazemos frente às situações é fundamental. Ou seja, se olharmos para determinada situação como um desafio, a nossa perspectiva vai ser positiva e estimulante; se, pelo contrário, a situação for para nós percebida como uma ameaça, dará origem a uma situação stressante. O que significa que temos de começar por interiorizar a ideia de que não estamos reféns dos acontecimentos e de que temos a possibilidade de decidir como vamos reagir às situações que se nos deparam.
O problema surge quando a “resposta de stress” se mantém com uma frequência e intensidade desajustadas. O organismo não pode manter, durante dias ou semanas, um nível elevado de activação, correndo o risco de se produzirem sérios transtornos físicos e emocionais.
Os efeitos negativos do stress podem revelar-se de variadas formas:
Sintomas Cognitivos (forma como pensamos)
Preocupações, dificuldade em tomar decisões, sensação de confusão, dificuldade de concentração e de atenção, sentimento de falta de controlo, esquecimentos frequentes, bloqueios mentais, hipersensibilidade à critica, mau humor.
Sintomas Fisiológicos (forma como sentimos)
Aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial, da sudação, do ritmo respiratório, da tensão muscular, dos níveis de adrenalina, do volume de açúcar no sangue, do colesterol, libertação de ácidos gordos no sangue, inibição do sistema imunológico, dificuldade em respirar, sensação de nó na garganta, sensação de boca seca.
Sintomas Comportamentais (forma como agimos)
Tremores, falar rápido, gaguez, voz entrecortada, precipitações, explosões emocionais, consumo de drogas, tabaco, álcool, medicamentos, comer em excesso, falta de apetite, condutas impulsivas.
Se estes efeitos se mantiverem no tempo, podem provocar o desenvolvimento de transtornos associados ao stress, tais como transtornos cardiovasculares (hipertensão arterial, doença coronária…), respiratórios (hiperventilação…), imunológicos (desenvolvimento de processos infecciosos desde herpes, gripe…), gastrointestinais (colite nervosa, cólon irritável…), dermatológicos (sudação excessiva, dermatites…), transtornos musculares (tremores, alteração dos reflexos…), transtornos sexuais (impotência, dor…), transtornos psicopatológicos (ansiedade, insónia, distúrbios do comportamento alimentar…), entre outros.
Na maioria dos transtornos verificados é difícil estabelecer qual é a responsabilidade real do stress e qual deriva de outros factores, mas, mais importante do que determinar com precisão a que se deve um e outro, é tomar consciência de que é possível tratar e controlar os efeitos do stress.
Neste contexto, foi criada no Centro Clínico de Lisboa, no âmbito da actividade desenvolvida pelo Gabinete de Apoio Psicossocial, um programa de Rastreio de Stress, que se divide em duas fases:
Primeira fase: consulta de despistagem de sintomas de stress e aplicação de questionário.
Segunda fase: entrevista de devolução de resultados focada nos sintomas de ansiedade demonstrados e proposta de solução.
Face aos resultados obtidos, o beneficiário poderá recorrer a um programa individual para controlo do stress.
Para mais informações ou marcação de consultas contactar:
Dra. Sofia Mac-Bride
Telefone: 213 116 708
E-mail: sofiamacbride@ptacs.pt