InícioFAQContactosMapa do Site
Portal do Beneficiário
Pesq. Prestadores
Portal do Prestador
  Doença Nodular da Tiróide
 
Pesquisar
 
Para Beneficiários.

Serviços de Atendimento a Beneficiários
Linha Azul 808 28 28 28
de 2.ª a 6.ª f.ª, das 09h00 às 18h00

Serviço Especial de Consultas e Enfermagem Domiciliárias
707 502 820
(Só acessível a Planos de Saúde do Grupo PT)

Portal do Beneficiário
 
 
 Início > Temas Clínicos > Doença Nodular da Tiróide

Doença Nodular da Tiróide

por Dra. Inês Sapinho
Endocrinologista do Centro Clínico de Lisboa

A tiróide é uma glândula localizada na base do pescoço, imediatamente abaixo da “maçã-de-adão”. Tem uma forma semelhante a uma borboleta e é constituída por dois lobos – direito e esquerdo – unidos por uma porção central chamada istmo. Cada lobo tem cerca de 4 cm de comprimento e 1 a 2 cm de largura.

A sua função é produzir, armazenar e libertar para a corrente sanguínea as hormonas tiroideias – triodotironina (T3) e tetraiodotironina (tiroxina ou T4) – que são essenciais à vida: contribuem para a regulação da temperatura corporal, da frequência cardíaca, da pressão arterial, do funcionamento intestinal, do controlo do peso, do nível do colesterol, da força muscular, da memória, dos estados de humor, entre outras funções.

Se a tiróide produzir uma quantidade insuficiente de hormonas, o organismo reduz a sua actividade (hipotiroidismo). Por outro lado, se a tiróide produzir uma quantidade excessiva de hormonas, a actividade do organismo aumenta (hipertiroidismo). A quantidade de hormonas tiroideias produzidas pela tiróide é regulada pela hipófise, uma glândula localizada na base do cérebro que produz TSH (tiroxina). Esta, por sua vez, é regulada pelo hipotálamo através da TRH (tiropropina).

As doenças da tiróide são muito comuns, sendo a doença nodular da tiróide uma das mais frequentes e com maior incidência no sexo feminino. A sua prevalência na população em geral varia de 4% a 60%, consoante os nódulos sejam diagnosticados à palpação ou por ecografias, respectivamente. Isto é, um em cada dez de nós virá a ter um nódulo da tiróide diagnosticado. Um nódulo não é mais que uma lesão discreta da glândula que resulta do crescimento anormal das células da tiróide. Por sua vez, o aumento do volume total da tiróide denomina-se de bócio.

Os nódulos podem ser únicos ou múltiplos e na maioria dos casos não se conhece a causa, embora possam ocorrer em situações de deficiência de iodo, induzidos por medicamentos, após radioterapia da cabeça e pescoço ou ter causa genética. A grande maioria dos nódulos são benignos (não cancerosos), mas uma pequena percentagem (5 a 10%) provocam cancro da tiróide. É fundamental, portanto, uma avaliação clínica para excluir malignidade.

A maioria dos nódulos é assintomática, sendo geralmente descobertos num exame de rotina ou notados pelo doente como um alto no pescoço. Alguns doentes podem queixar-se de dor cervical, na mandíbula ou no ouvido, e quando se tornam grandes podem causar dificuldade em engolir ou respirar. Raramente podem produzir rouquidão.

O exame físico e as análises não permitem determinar se o nódulo é ou não maligno. Assim, a ecografia é fundamental para determinar as dimensões e as características dos nódulos, uma vez que, regra geral, apenas aqueles com mais de 1cm ou com determinado aspecto devem ser avaliados por terem um potencial de malignidade significativo. Nestes casos é necessária a realização de uma citologia aspirativa com agulha fina (CAAF), que recolhe células do nódulo para estudo microscópico. Só em situações muito específicas deverá ser realizada uma cintigrafia da tiróide.

Os nódulos benignos mais comuns são os nódulos colóides, quistos e adenomas. Nestes casos, o seguimento deverá ser feito a cada 6 a 12 meses. Caso se verifique o crescimento dos nódulos ou a modificação das suas características, é necessário a repetição da CAAF e, por vezes, por desconforto ou “falta de ar”, poderão ter indicação para cirurgia. Esta deverá ser sempre realizada por um cirurgião com experiência na cirurgia da tiróide para diminuir a probabilidade de complicações.

Os nódulos malignos, apesar de serem “cancro”, não têm na maioria dos casos a gravidade dos outros cancros, pois têm um comportamento quase benigno. Nestes casos, a indicação inicial é a cirurgia, sendo muitas vezes necessário completar o tratamento com iodo radioactivo. Estes doentes necessitam de acompanhamento para o resto da vida.